domingo, 17 de novembro de 2013

Onze - Pluvioso

Nobre floresta
triste escuridão
açoitada em torrente de águas, presságios
de luta e traição.
Tudo é avesso, sem barulho
nada da agitada, inconsciente reflexão
nunca nada igual
a anteceder o confronto.
A lealdade não está ali,
apenas crimes.
E a dor das cartas sequestradas,
sentimentos espicaçados em sátiras...
Tempo, e silêncio...
gritam apenas os festejos da insanidade
de fútil bandeira
incapaz de sabotar a visão da História
com suas façanhas conquistadas
na compra e venda de almas baratas.
Inferiores, capazes de abandonar a dignidade
saboreando morangos e lama.
Era contra era,
Virtude versus vergonha.
Resultado condenado
lastimosa lembrança...
Para os maus não bastava tirar o ter
era preciso calar o ser.
Mas a genuína memória vence.
E se a espada é destronada,
advoga-se no futuro
pelas visões de sua época
marcas e impressões dos gênios.


          Ana Lettiere, 15 de Agosto de 2010

http://www.autores.com.br/2010081638826/literatura/poesias/onze-pluvioso.html

          * PLUVIOSO (Mês pertencente ao Calendário Revolucionário Francês que vigorou de 22 de Setembro de 1792 à 31 de Dezembro de 1805) - 20 de Janeiro à 18 de Fevereiro, período chuvoso.



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